sexta-feira, 17 de agosto de 2012

BOLOR - dicionário wikcionário verbete glossário léxico lexicografiaetimologia etimo enciclopédia delta



No retrato há um morto e um vivo simultâneos

que paradoxalmente não é o mesmo ente
nem tampouco o mesmo ser
mas também o é
pois o ser vivo é um ente vital
gerido por alma sensível
e espírito pensante
- uma indústria silente
dentro de outra indústria do silêncio
em relicários ou baús sem fim
a transmutar energia em matéria
e vice-versa no que versa a versatilidade da vida
-  a vida que é um plasma plástico
maleável e inteligente ao extremo
é a vida!
Outrossim um febricitante vir-a-ser no homem viril
- a vida!
 alheada pelo labor do intelecto
alienada na morte do pensamento
em instituição de alvernaria
pedra em cantaria
e lei pétrea
imperdenida
tirada à mente doentia do tirano
o homem louco que ousa comandar 
e consubstanciar um estado 
no fato e no direito
para cada ser humano
- os quais quase já destituídos de humanismo
e iluminismo 
se alienam na escuridão da escravidão
para garantir uma sobrevivência mitigada
( No auto-retrato de Vincent Van Gogh
há um ex-vivo
que foi um ser no casulo do tempo
dentro do qual se pintou
e um ente prisioneiro da morte
ao mesmo tempo
e no mesmo espaço do retrato )

O retrato contudo 
não é exatamente um ser
pois no retrato falta tempo
para integrar o ser 
que vive e vige no tempo
  porquanto o ser sem tempo
não participa da existência
nem da essência do homem
e logo não é um ser 
e sim um não-ser
um nada ser
sem  chance de vir-a-ser 
devir
devenir
que venha a exprimir a  morte
no corpo morto
roto o porto

Por outro lado do paralelogramo
o morto é ente no cadáver
despojado de existência e essência
revogada a mente
jogado à correnteza da decomposição célere
conquanto retráctil seja o retrato
em trato de sapato para pato palmípede
que faz gato-sapato com os pés com chulé
na pele de Pelé e Garrincha
- no beiral do telhado da garriça ou cambaxirra

( Quero a luz das abelhas
- à luz das abelhas
quero
- quero ver
olhar a flor da laranjeira
- adorada odorata! )

No retrato se retrata dois seres
um vivo e outro morto
ao mesmo tempo
e no mesmo ser e não-ser
porque o retrato retrátil retrata simultaneamente :
o ser e o não-ser
encravado no número um 
e no não-numeral zero 
dos matemáticos árticos, ursos
( O zero é um numeral simbólico
tanto quanto o um
e os demais algarismos rabiscados )
 
O ser vivo existe fora do retrato 
ao sol no atol e no paiol 
aquecendo réptil
do lado claro no reino animal
Todavia do lado escuro do retrato
em claro-escuro visível
a construir olho e visão
o ente morto está posto
por um ato e um fato
dos dois seres vivos à época :
o retratista e o retratado
os quais nadam na torrente do vir-a-ser
e na fotografia
Peixes na luz
feixes cromáticos
em preto e branco de sapato
claro e escuro de Caravaggio
- tudo preto no branco
xadrez trançado nas vestimentas
tingidas pelas cores berrantes do arco-íris :
O  vivo com vestes talares alvas
de essênios posando
nas albas a lamber as faldas das montanhas
e o morto trajado com mortalha
e máscara mortuária
porquanto o retrato é retrátil
versátil no soprar do oboé
e do oboísta
- anjo que sopra por detrás das ventas do arcanjo
o vento que toca
os moinhos de vento
e as areias do tempo na ampulheta
- bailarinas de Degas em pinacoteca

Ambos nos olham :
o vivo e o morto
Entrementes não nos vêem
porque não têm olhos para mover os cílios
piscar para as estrelas internas aos olhos
- no céu noturno dos olhos negros
revirados para dentro do ser orgânico
visceral 
com a lua na luta de luva 
pastando o máximo do amarelo 
regado pelo arroio da madrugada orvalhada
 
O morto olha-não-olha
porque parado ali
para sempre emparedado no retrato
e na propriedade retráctil do retrato
- cristalizado em rochas sedimentares de luz!
as quais na fotografia
viradas ao avesso da pedra-pome ( púmice)
em rocha magmática
ao erigir uma ilha : o retrato
- O retrato é ilha 
a separar com sépalas e pétulas
um Robinson Crusoe do tempo
retirando-lhe o ser
com a debandada do tempo
 
O ser vivo olha sem visão retratada
refratada
porque está atuando ainda no tempo fora do retrato
que o imobiliza e prende em cadeias de luz 
preenhe
 pelas teias de aranha branca
  tecida em lua branca ao zênite :
lua em teia de aranha branca 
em  tecitura de luz solar
- com a poção do tempo em cronômetro de bruxo
demudado em lucíferas alvenarias
a discorrer sobre o rio do vir-a-ser
aonde passou o filósofo Heráclito de Éfeso
um grego atravessando um outro Rubicão
para ir à Roma
e ter com os romanos
- gregários no Direito
 
  Aliás, o Direito é a  filosofia torta de Roma
evidentemente não para filósofos cínicos
grandes escarnecedores 
fugitivos dos meandros da política
e da guerra
- que é o objeto e ato magno da política
quer seja política profana ou  sagrada
movida por atos de druidas ou de reis e imperadores...
- Sátrapas enfim!
 
Os filósofos cínicos
aos quais os oponentes denominam de cães
eram de fato e em atos
homens livres
cultores do "pathos" da liberdade extremada
ainda que sob o gravame da maior escravidão externa
exercida pelo estado românico
colocando a opressão
sobre as espáduas do homem grego
que em particular o filósofo cínico
sentia e reagia 
contrapondo ao servilismo vigorosamente
com a filosofia de desprezo
pelo universo político-militar dos romanos
- os quais representam para o cínico
os autênticos cães
que sempre voltam ao vômito
- após a regurgitação
com que alimenta os filhotes
( enquanto o romano opulento
nutria a bulimia 
lendária na Roma antiga! )
 
Inobstante, esta filosofia tortuosa e falsa
hipócrita mesmo
que denominam galhardamente 
de Direito 
a servir aos interessesmesquinhos
dos antigos donos do mundo
( - vetustos romanos na empresa das legiões! )
 - tal "filosofia" em petição de miséria
que tardiamente ganhou foros de ciência jurídica
era mero jogo semiológico
para "aventar" cidadãos romanos
perfeitos escravos da lei
e do tirano em voga
soprados em bolhas de sabão
 
Trata-se, o Direito romano,
de uma filosofia mínima
mitigada ou em migalhas
uma pseudo-filosofia de cunho oficial
em forma de práxis ritual
tateando a ética
(- a qual se radica na razão)
mas sobrevivendo de fato da moral
a qual provem do irracional
a "ratificar" paradoxalmente
o costume grosseiro e brutal
do homem lançado à sarjeta
decaído na vala comum da existência
anjo desgraçado
maldito
amaldiçoado
escarnecido
escravizado
indigno
ignóbil
- cidadão paradigmático dos impérios romanos! 
governados por loucos césares

  O cinismo é um filosofia menor
originária na Hélade dominada
cujo escopo é atender
albergar 
e dar dignidade interna
à sobrevivência do forte
do homem nobre
escarninho
do filósofo virtuoso
livre ( o cínico cultuava a virtude da fortaleza
que talvez seja a única virtude de fato
sendo as demais 
meras expressões e virtuosidade desta )
cujo último bastião
era sua mente invicta
como um sol divino
em tempos de escravidão
imposta por Roma
ao homem exterior 
e ao interior dos escravos inatos 
aptos somente à obediência e fidelidade canina
( - Infiéis!
homens inféis a si
traidores do seu ego
do seu ser vago
e paralisados por uma estupídez
que grassa como a peste negra
ou a gripe espanhola
ou a inquisição espanhola de Torquemada )

O indivíduo temerário
que ousava desafiar
o poder político dos porcos 
da Granja de George Owen
- estes! estão sempre no poder
correlatos aos levantes
e ao ato do suíno
sempiterno e vitalício no comando
do zoológico humano
- com seus zoólogos 
que não se pensam bichos 
ainda ignoram Darwin
sobrevivendo ignomiosamente 
em máximo opróbrio 
sob controle doutrinário
imposto de Roma e por Roma
( este o mais lancinante imposto de Roma!
- das Romas que imperam até hoje
sob sutis políticas religiosas
que são mais compreendidas pela natureza da mulher
que enredas a mulher 
que vive à flor do sentimento
pois são poetisas natas
No que tange ao pobre e desamparado homem 
que somos todos!
- este entende melhor a política profana
e enquanto a mulher se esmera no conhecimento
 e prática da política sacra  
o homem enquanto filósofo cínico 
desdenha das mentiras 
que constroem a Torre de babel do poder político
- E tudo no mundo humano e animal
é poder político! 
- monopólio  de alguns homens
eleitos pelo povo
para realizar a república democrática 
a qual existe apenas em discursos e fraseologia
que  Direito corrobora 
em seus escólios e corolários 
à maneira de Spinoza 
mas evidentemente sem a lisura 
e liberdade que conduzia o pensamento 
do filósofo da Ética )
 
O cinismo filosófico 
vem na mesma esteira do estoicismo
ambas evasão e debandada
do indivíduo ferido de morte pela filosofia 
o mártir da liberdade 
que não aceita nada menos que a liberdade
ao menos interior
quando o mundo está tomado por déspotas 
( e o mundo quase sempre está assim !
tomado pela peste bubônica do despotismo
- esses bubões pestilentos! ) 

O cristianismo é um cinismo popular
- uma vulgarização da filosofia dos cínicos gregos
uma ciência barata
que toma fundada na teologia sem objeto
e no Direito cujo objeto inexiste
porém com preclaro objetivo
de dominar os homens
instituindo a escravidão branda 
proporcionada pela ponderação do Direito
e da sua irmão santa : a religião
Seu objeto ( se tivesse algum )
seria abjeto
- uma abjeção.

O direito é a forma religiosa da ciência jurídica
isenta da religião fundada na teologia 
que abraça todo o contexto historial de Roma antiga
e das Romas em sobreviventes instituições mumificadas
Outrossim na teologia 
há uma abjeção no lugar do objeto
- que este não há

O cinismo é outrossim um retrato de um tempo
  no qual é demonstrado historiologicamente
que o Direito é uma mescla eclética ou uma  síntese
abaixo do tom das  filosofias menores :
que é  o cinismo e o estoicismo 
dentre outras 
 
Só  que a filosofia não impera
antes opera no anelo pela liberdade do ser humano
em oposição ao Direito
que sendo uma filosofia oficial
não passa de fato de um conjunto de regras
marcadas por interesses escusos
dos  donos do estado ou da república
que tomam o estado e o direito para si
( outra forma de estado é o direito) 
em detrimento dos demais
sob escravidão branda

O Direito é uma norma de conduta totalitária
absoluta como os monarcas absolutistas
uma alienação do pensamento humano
cujo fito é coagir e oprimir o homem
- porquanto vem a ser um poder
que faz curvar o homem
então genuflexo ante o soberano
seja ele estado lei ou rei ou império
 
O direito e a religião
são políticas de dois estados dentro do estado
e vêm a suscitar o terceiro estado
no qual Hitler pode ressuscitar
Portanto, ao Direito não é dado sequer
ser uma das  filosofias mínimas
da magna Grécia
porque vem a tolher os atos humanos :
encarcerar
enforcar
esquartejar
decapitar o ser humano
é seu objetivo
 
A ciência prática do  direito
 é uma forma perversa e pervertida  de anti-filosofia
cujo escopo é subtrair sorrateiramente
a liberdade do homem
e levá-lo em massa para o Jardim  Zoológico
- que são todos os asilos institucionais
  colônias penais para todos
exceptuados os senhores alçados ao poder

(  Ah! ar ! : Quero ar!
Quero a luz das abelhas
- à luz das abelhas
quero ver
o que quero e muito quero
no Quero-quero
que voa a estridular o seu grito
- estribilho rascante! )

O ser vivo está no tempo
a pisotear o lagar
gravado no corpo
na anatomia e fisiologia
no aglomerado de poeira a colar o organismo
com colágeno
vinculando matéria e energia de mártir

( Quero a luz das abelhas
- à luz das abelhas
quero
- quero ver!
  e ser longânimo
 tal qual um patriarca bíblico )

No morto resta o pó do tempo
enterrando-o
cobrindo-o 
retratando-o
na curva da tangente de Newton
   
No mosto o morto está em fotografia
coberto pela poeria do tempo
Seus olhos não  olham
ou olham e não vêem
estão imóveis e alijados do tempo
- sem tempo que os mova
à face das águas
reflexivas

( Quero a luz das abelhas
- à luz das abelhas
quero
- quero retratar
o Quero-quero na solitude do voo
em bando a "fretinir"
similar às cigarras a fretinir )

No retrato há duas faces do mesmo deus Jano :
um vivo e um morto
O vivo foge da prisão de luz do retrato
e aspira ao tempo-de-respirar
inspira e expira fabricando o tempo e a vida
dentro de um período
Já o morto jaz no retrato
qual um epitáfio
com uma cruz a encimar a cova rasa
plantada ao rés-do-chão
paralela à raiz vegetal
- não quadrada ou quádrupla ou quadrática
na Ática da matemática

A morte é o objeto da tragédia
- objeto abstrato ( abstruso ) :
o morto é o objeto concreto
empírico
A vida evoca a tragédia
na tradição grega
em coro de sátiros
- que são entes naturais
e máscaras mortuárias
ou personais  ( de personas )
que representam com o ator
( morto individual )
a morte social
na substituição do rosto
pela máscara da "persona" teatral :
o drama entre o ser humano e a pessoa
do indivíduo e do ente coletivo

O retrato é tragédia do ser
e do não-ser
que são a mesma coisa
e a mesma pessoa
à luz da abelha
( A luz da abelha
que quero
tanto quero
no Quero-quero
que atravessa o ar
entre o anjo azul
e o arcanjo verde
- caído, decaído há décadas no pasto
(Lustros entre gramíneas
e outros rastejantes ao rés-do-chão ) )

O retrato é uma tragédia
em um ato
e um fato
em natureza rochosa
mineral
O Direito e a filosofia 
são retratos no mofo ( bolor )
desta tragédia em tantos atos
quanto sejam os fatos 
representados no drama
 

domingo, 12 de agosto de 2012

ONÍRICO - dicionário wikcionário verbete

Rua pequena 
pequenina
cabe e coube na pena
do pavão ( que sou! :
Que sou eu?!...)
do faisão...
Mas meã não! :
- anã branca ao sol pálido
cálido
em seu calado
prenúncio da calada
preta na meia da noite
assombrada por trevas riscadas por coriscos
coruscantes
e ribombos no bombo
tambores
desenhando senóides no vento
( As ondas senoidais são o balanço geométrico
Euclides dançante
em corpo de baile
com a dança que balança
e embala
a água e o ar
na corrente eletromagnética
mudando e movendo o espaço
com um dos atributos do tempo
que é o movimento
- motor matemático
na equação literal comunicada
na análise da parábola cartesiana
que dança e canta e dana-se em parábolas!....:
- sem Jesus!!!
Dança é música de Musa em silêncio profundo e longo
- longo gongo!
cujo duo de voz é a melodia e o silêncio
- algébrico silêncio abacial )

A rua com seu casario
vinha de praça com estátua equestre
de presidente egresso do império de barbas
que errava pelo império de Dom Pedro
e rastejava qual quadrúpede
bêbada em tropelias
até uma velha ao cabo da vassoura do vento
- uma velha construção cor cinza-diabos
na pintura do tempo em corpo tatuado de lagarto
aonde funcionara uma indústria
aos pés e passos da linha férrea
e que ficara com inscrição em latim
ao frontispício
depois que abrigara uma academia de ginástica aeróbica
porque não tinha química para ser anaeróbica
respirando por bactérias
( Construindo e desconstruindo a alvenaria negra
lacertídeos que emprestavam matéria
às paredes do galpão
que se constituía em corpo desses lagartos negros cinzas-diabos
ao se cruzarem num ponto de tricô ou croché
da velhinha-do-tempo
que os tecia em uma mantilha
um agasalho ou um sapatinho de bebê )

De um a outro lado da rua
as casas cochichavam
brancas amarelas azuis...
( quatro casas a barlavento da lua
e seis a sotavento do sol )
e cochilavam à noite
remexendo-se na insônia
que não cabia no leito
por causa de um beijo
fora do tempo e do espaço
- ósculo de amantes

livre do mal da bruxa
da maldição da feiticeira
que não pode macular 
o imaculado coração de Maria
que bate o martelo no peito da bem-amada
( Aquele beijo
Oh! aquele beijo delicado!
mui apaixonado!
metade sonho ou a meio ou em meio ao sono
mixórdia de matéria e energia de sono e sonho
onírico e real
ou a um passo do real
- aquele beijo que nunca nos selou os lábios de carne!
vindo direto nos lábios dela
no escuro da câmara
subjugando-nos no enrosco serpentino do silêncio
- beijo de lábios colados...
Ah! inesquecível amplexo de Íncubo e Súcubo
ainda que irrealizado
ou semi-realizado entre o surreal e o real
que perdura dentro da alma
ou das duas almas
que  o quiseram realizar
todavia não o puderam expressar
fora do entre-sono
entre-sonho
que selaram os lábios ali
para sempre
entre o que é sonho e vigília
matéria e energia
Contudo o beijo veio dos lábios da amada real
em natureza física composta
separada de mim apenas pela barra da alva
as penas da garça
e a flor de laranjeira
na guirlanda de noiva
cujo nome está escrito
no paul em que vi a saracura
saracotear-se
em toda a minha poesia
( Minha poesia é uma linguagem
toda  voltada para dentro
que lambe com a língua
o que está no fundo do favo
e  traz à baila
o mel da melhor abelha
retirado do néctar da flor
que preconiza o fruto
a boca e os dentes e a fruta
- o metabolismo, enfim! ))

A idade da rua é a idade da cidade idosa
dos idos do século
com ordens seculares e regulares
ordens para suprir o tempo
e regras para se isolar do tempo
nos claustros dos mosteiros
nas abadias
sob regras
severas regras de São Bento Abade
a tirar o  mosteiro e o monge do mundo temporal
substituindo tempo por regras pétreas
( O que teia aquele tempo
é a teia de aranha
- teia da vida
que telha a dor moral
advinda do social
pela ciência do antropólogo traduzida
em signos e símbolos
que a expressa )

Em menina descalça na monja carmelita
a rua em criança no tempo
devia atravessar-se
nos jogos lúdicos
correndo de um lado a outro da rua
branca rua com cara de lua
branca do branco da nuvem
e da graça da garça refletindo o gládio de luz do sol nas penas
Branco ou alvo garça
do pote da torrente do São Francisco
rio para potes de gerações de homens e ervas
arbustos animais e árvores frondosas 
ter aonde beber
outrossim nas gotas de rocio
no ponto do orvalho
que tecia e guardava um par de sapatos de lã
do bebê que viria em mim
na manhã da outra manhã
ou na madrugada gélida
com vento nas ventas dos moinhos de vento da Holanda
com Van Gogh ainda juvenil
longe plagas da literatura védica
da pintura impressionista e expressionista...
( Quando se é mui jovem
a literatura védica parece distante
- no passo em que pisam as estrelas
longe do burburinho quotidiano 
ela paira sobranceira no espaço sideral
porém com a maturidade e a erudição
acha-se os Vedas no sebo da esquina
em suas garatujas originárias 
O recém-nascido nada sabe do sânscrito
conquanto cante o canto dos Vedas
em seu pranto  
com seu aparelho fonador)

Por um lado da ruazinha mansa e pacata
subia-se lentamente à casa de Rachel
- a "Dona Rachel" de andar algo fleumático
mulher em lipídios
tecido adiposo
onde não pousa a mariposa
de voo piloto na chuça da chuva em chuço sem rebuço
e do vento que ali passava
entre corredores
(  O vento é um corredor olímpico
atleta tetra
no corredor das borboletas
abertas as aletas
alertas no planador
que flutua em flor branca
do ar ao solo
calçados por ervas )

No princípio da rua
casa roxa com alpendre
olhava das janelas para o portão
- roxa casa enroscada na glória matutina
a soprar trombetas lilases
e indo índigo plantar
um bem de raiz
- a anileira!
Indo ainda ao indígena indigente
sem sinal ou som de língua indo-européia
assim como fui também indo índico
pelo caminho do índio e do hindu
com meus versos em trovas
com ovas de peixe
escritos com sumo de limão
no verso anverso do universo
versados em mamão à mão do violão
versejados por versejadores tais e quais
cheios de tantos ais!
na metragem metralha 
esparsa no espaço esparso da tralha...
- ou da gralha grelha galha palha...
Valha-me Deus!... )

No fim da rua
a casa do poeta
ficara com o legado do suicídio
Calçada alta
timbrava a solidão
com o brasão da morte do poeta
que se suicidou
Era um homem de sobrenome Quinaud
senhor de versos versus o mundo
( versado no mundo erudito?! )
com poesia escrita no sumo do limão
no infinito invisível
de uma noite negra e apagada de qualquer luz difusa
até no túnel ou labirinto do sonho
Nunca li um ceitil
nem um til
de sua poesia febril
- poesia para miosótis e sopros de jasmim
e outras flores de sopro perfumado ao vento de escotilha
que vinha na vinha de voz de minha mãe
em gavinhas e uvas no caramanchão ou pérgola
( Minha mãe é quem me falara do poeta suicida
porquanto amava a alma dos poetas
que para ela era um poeta
dentro de outro poeta
numa sucessão de poetas individuais
imbricados no mito de barro e papiro
das águas do pote com peixe de Jesus e discípulos
que era o rio São Francisco
de cachoeira em cachos cantantes
sem a planta do papiro
- Mãe, que se casara com um homem pragmático,
insosso
sem chão na poesia
sem escabelo na arte da erva
arraigado aos vegetais da cerveja
envasada na indústria de silêncio em flor de campo
da deusa Ceres
a senhora dos cereais
maltados ou naturais)

Uma noite
sono em plenilúnio
sonho com novilúnio
em plena travessia pelo onírico
- para o lírico do lírio na lira
entrei pela porta da frente de uma casa daquela rua
e ao sair pelos fundos
abrindo uma porta de madeira
- estava na China comunista!

Rua, ruazinha, travessa, viela... 
 

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

POÉTICA - glossário léxico lexicografia etimologia etimo enciclopédia delta

Todo sistema filosófico ou científico é um sistema de crenças; aliás, mais : todo sistema é um sistema de crenças, crendices. Não há sistema que sobreviva sem a crença depositada nele, nos seus métodos, objetos, conhecimento, etc. O sistema é o ser humano esfacelado ou alienado no intelecto, isento de sentimento, ao menos em tese, pois o homem não pode se livrar  do sentimento, mas a razão sim.
Sistemas de terapias como a medicina natural e a alopata 
( alopatia), ou tradicional, no mundo ocidental, bem como  as terapias alternativas, dentre elas a homeopatia, não passam de sistemas de crenças, comungam fé. O mesmo se dá com as dietas ou regimes, por assim dizer. São sistemas fundados em crenças, dentre inúmeros outros sistemas assim assentados  : dieta vegana, macrobiótica... os regimes políticos, que são essas dietas na expressão social ou política; daí "regimes" ser expressão para designar forma racional de alimentação ou de constituição sócio-política.
Há política em qualquer comunidade ou comunicação entre dois seres humanos ou animais e, mesmo entre vegetais, que porfiam por espaço, que significa tempo  ( tempo de vida ou espaço para respirar, processar a clorofila, viver, enfim: isso também é política ), há espaço para muita política subindo as raízes do campo e do vale : é a política da fauna e flora, imprimida pelos seres vivos do bioma, inobservada, despercebida, sub-reptícia,  subindo e descendo pelos caules, hastes, troncos, outras tantas escadas de Jacó invisíveis aos olhos com tampão dos piratas, que só iluminam um lado magro do espaço.
O mesmo ocorre em relação à Yoga, Pilates, Reiki, cromoterapia, acupuntura, radiestesia, dentre outros sistemas de terapias alternativas ou oficiais, com ou sem a chancela do estado ou do tempo em voga. Isso sem se falar nas panacéias,  que funcionam  através do mito arraigados nas cabeças humanas em todas as épocas, porquanto tal mito ( o mito de panacéia, do elixir  da longa vida, que só existe no universo sentimental, o qual exprime e vem a imprimir desejos profundos, arraigados, avoengos, atávicos) vem  represar  e liberar, concomitantemente, uma carga poderosa de aspirações imediatas e miraculosas e sempre urgentes, as quais são parte do mundo onírico a sobreviver na vigília do enfermo sofrido ou do homem em seu quotidiano sempre incerto, conquanto o mito faça desse cotidiano algo líquido e certo, esquecendo que a qualquer momento pode sobrevir a morte ou outras desgraças que grassam.
Tudo no pensamento e práxis do ser humano são meras crenças, belos mitos ( poesias a caminho do esteta que as saboreia ), lendas bombásticas; enfim, sistemas montados para consolo do doente que, inobstante tudo parecer inócuo nas terapias e remédios,  se cura, produz energia curativa graças ao estado da fé ao qual é guidado pela necessidade premente de sobrevida. As crenças, os sistemas de crenças,  carreiam muito poder e energia vital  aos sistemas de terapias
( medicina, religião, psicologia) e vêm mitigar a ansiedade do ser humano, pois o homem quer sempre estar pleno, física e mentalmente, porém nunca se considera tal, está sempre a buscar mais e a demonstrar insatisfação com o presente, quer seja ele bom, agradável ou ruim de todo. Raro o momento no tempo corrente que não incomode o ser humano no seu afã de excedente.Excedente de riqueza, de beleza, de bem-estar, de amor, etc.
Entrementes, as técnicas são válidas, enfrentam a efetividade, e,  ainda que usando de uma dose de  xamanismo de outro naipe, um "xamanismo" ritual ( técnicas são também ritos ou conjuntos de ritos que possibilitam a um resultado, ou ao mesmo resultado sempre que os objetos e demais elementos utilizados forem os mesmos ou similares;   são aptas para levar a graça e o poder  da graça espargida pelas mãos em prece e  louvor à vida do fazer, do fabricar, do industrializar, que, enfim, leva aos bens ou artefatos,  que a os homens em sociedade produzem e põe a circular no mercado que têm de fato; sem ela, a técnica,  os os bens ou artefactos perdem em qualidade ou nada são  senão entes da natureza em estado bruto, como o ouro ou o diamante não lapidado.Tais aparatos técnicos que tornam a ciência útil e prática são veículos da práxis, da práxis que acompanha as técnicas, e sem as quais ( as práxis!) as técnicas não seriam senão gestos mecânicos, infecundos, vanidades. É a práxis que possibilita a realização do evento ( técnico, miraculoso, espetacular ) e o descortinamento de  outros sentidos humanos, que não  os comezinhos.
A práxis é desenhada num conceito e contexto que enfatiza o ato ou atitude do ser humano; atitude essa  não repetitiva, como sói ocorrer com a técnica, atitude mental, operação intelectual fria fundada na concatenação "morta" das operações do intelecto,  sem emoção, matemática, dentro do âmbito de um pura e refinada linguagem estérica do conhecimento de época ( esotérica no sentido aristotélico) ; a práxis não vem, pois, não em salvas, porém livre, por vezes desconexa, e surge no horizonte da oportunidade (oportuna ), com carga  conotativa vigorosa, vital, em linguagem-linguística, para-palavras sentidas e sensíveis na poesia e outras formas de práxis escritas, retiradas da vida humana, que põe atos vitais, posteriormente, como fatos registrados, consubstanciando a memória para a práxis. Difere substancialmente  da técnica, que é outra concepção desenhada, a qual apresenta atos repetitivos, voltados a objetos ou a fabricar artefatos, produzir modificando o corpo dos objetos em mãos e mentes. 
O pensamento carece da práxis para se complementar, para ser um ser efetivo ; sem a práxis não há humanidade, pois o pensamento se torna alienado nas instituições e acrítico. A racionalidade inclina-se, então, para a loucura ou a moira grega. O direito e a política não abrigam qualquer laivo de práxis, são meros fatos que dominam o ser humano e que o homem não é capaz de controlar, porquanto são entes sociais e "sobrevivem" sem a intervenção do indivíduo ; nascem do espírito coletivo, são seus efeitos. Aqueles que poderiam, talvez, colocar uma forma ( norma?! ) de práxis na política e no direito são indivíduos que, em geral, não tem práxis algumas, mas apenas discursos ocos, demagógicos, baseados no erro e no interesse : políticos e a juristas. Daí não haver quase nada que seja mais desumano e cruel que o direito e a política, ambos instintos animais racionalizados até onde for possível racionalizá-los, ou seja, até onde não sejam atingidos minimamente os interesses ignóbeis dos que detêm o poder político e que fazem as leis e o direito : os membros dos três poderes que disputam o butim do bútio. Política e direito são instrumentos de dominação e de suplício do estado e, infelizmente, o preço de se conviver custa a condenação à prisão social sob grade e grilhões de regras da sociedade, de cada indivíduo,  em detrimento de cada indivíduo, e a liberdade absoluta da minoria em comando, no auge do poder político e econômico que determina tudo o mais, que infla a sociedade e curva a cultura até a subserviência dos cientistas e outros profissionais da técnica. A salvação está na arte, na poesia e na filosofia, que continua renitente a questionar e não aceita a norma de rebanho colocada pelos leões e lobos em alcateia. Nas sociedades humanas tudo é políticas e direitos, esses dois déspotas de um estado sempre totalitário ainda que impensado e impensado tal mesmo por muitos poetas ( artistas) e filósofos ( pensadores livres).Vide Guernica de Pablo Picasso, que retrata a política e o direito, no que são de fato quando nus e sem rebuços.Pinacoteca.
A técnica  é denotativa, não traz o elemento humano completo do sentimento e razão, essa anatomia e fisiologia da mente e do corpo,  funda-se tão-somente na razão, o que em si é desumano e alienante;  apresenta-se, outrossim,  em linguagens matemáticas de equações e expressões aritméticas e algébricas, as quais trazem em sua concepção para o desenho um tipo de "nous" para a função do número, ou numeral, que é o objeto dessa inteligência do cosmos e do homem, pois o "Nous" é uma inteligência reflexa do cosmos e do homem ( uma inteligência-Narciso ou narcisista ), inteligencia que se reflete mutuamente no cosmos e no ser humano como sabedoria e conhecimento, tendendo a unificar-se, ou seja, tornar-se apenas sabedoria, pois o conhecimento ou erudição não passa do registro imperfeito e ligeiro da sabedoria que perpassa cada fato mínimo produzido em natureza .
Esta inteligência ou "Nous" do número, ou da quantidade ( a quantidade enquanto percepção a imbricar práxis e técnica ) está no traço  e na figura geométrica mínima,  e nas linguagens-matemáticas-simbólicas e linguagens-linguísticas, conforme o objeto da "inteligencia" ( "Nous") venha a ser para quantidade ou qualidade ( representada pelo conceito de número e seus símbolos e signos abertos nos sentidos vetores, escalares sensíveis à mensuração ou insensíveis à mensuração dos sentidos e possível somente de alcance pelo intelecto, que extravasa o mundo sensível ao infinito matemático ( todo o sentido do universo da linguagem matemática está no infinito, no eterno e no nada : o zero enquanto noção puramente intelectual, imperceptível ao senso comum) ,  ou pela concepção de nome com seus respectivos signos e símbolos fechados em significado); linguagens estas que servem a filósofos e cientistas, poetas e religiosos, místicos e homens de práxis ( ou da práticas, que diferem do homem de práxis), os quais , (todos!),  têm o número e o nome como objetos originários e originados no "Nous" ( inteligência ) : no "Nous-reflexo", reciprocado no cosmos e no homem : o eterno e infinito mito do Narciso olhando seu reflexo à lâmina d'água. O homem é a forte expressão de Narciso ou do mito assim posto vegetal e animal e humano, na poesia da qual se reveste.
Na concepção desenhada para a técnica, com números e figuras matemáticas, o "Nous" é denotativo; na concepção para a conceituação da práxis, ocorre indelevelmente a marca humana e o o "Nous" reflexo ou refletido e defletido origina uma  conotação, algo inerente ao ser humano. trata-se, a conotação de uma forte carga e descarga de sentimentos e percepções que  se espraia nas atitudes humanas, ou práxis, que são os atos maiores e nas técnicas, atos menores, vinculados a objetos, artefatos ; arte menor. Inobstante, são atos complementares e suplementares a técnica e a práxis, caso contrário não se tornam políticas, mas apenas atos políticos alienados, minorados por interesses escusos, os quais se alienam do homem nas instituições do direito, e, ao invés de serví-lo, são servas das instituições, empresas, sociedades, associações , sindicatos, partidos,alienações do pensamento, o pensamento posto ( em-ser ou em-ser-raiz e matriz humana ) no mundo sem retorno crítico, porquanto o retorno crítico somente vem ela práxis do homem, vez que a "práxis" institucional é ma impossibilidade devido a cristalização a que tende as instituições e a ausência de pensar crítico que faz as instituições. As instituições são governos, formas de dominação política de animal-alfa e beta,  e todo governo é constituído por miríades de atos e fatos despóticos. A tirania das instituições "lavadas" em governo formam a democracia e qualquer outra forma republicana ou monárquica de governança.
Aliás, o direito usufrui inconscientemente das linguagens matemáticas ao operar com o conceito de equidade, palavra-raiz para equação: é, de certa forma, uma linguagem-matemática mitigada pela política que pervade a alma da ciência jurídica, um conhecimento conturbado por interesses brutais, resolvido na tacape, na ponta da faca. O direito é uma violência mental que se posta como ameaça clara antes de desferir o golpe fatal, indefensável. É uma forma de crucificação que o ser humano pode evitar se obedecer prontamente à ordem.
Por outro lado,  a mente não encontra a práxis, pois ela não está em seu universo anverso, sem sentidos-guias ; a mente não tem a aptidão dos sentidos, não possui sentidos, por isso é cega, surda-muda e não possui qualquer senso real, senão o senso de si, do seu universo solipsista “paralelo-geométrico”, mensurado e desenhado em Euclides, depois Descartes e outros geômetras eminentes. A mente pensa, ou seja, não está de posse da efetividade , nem na efetividade ( e sim no microcosmo do geômetra que se desenha na figuras geométricas), por isso distorce espaço e tempo e os curva à luz. Desmonta e remonta o espaço e o tempo real, efetivo, como ocorre na fecha de Zenão de Eléia. Por isso o ser humano não em como saber, mas apenas conhecer por meio de técnicas que aplica em terapia, no desenho, enfim, nas linguagens matemático-linguísticas, que alimentam a filosofia, a ciência, através dessas artes que são as linguagens, expressas e impressas em equações, discursos, desenhos, terapias, músicas, fabricação de artefatos, leis, nas engenharias e nas arquiteturas; enfim, nas várias “literaturas”: há uma literatura para as matemáticas nas equações e outras expressões aritméticas.
A ciência contempla o ser : um objeto de linguagens, com lastro em signos e símbolos humanos; a técnica é uma ação ou fazer, um ato, enfim, que divide ou partilha o tempo e o espaço com os sentidos, os quais estão focados na sabedoria presente e viva no universo, que se transmuta no unicórnio teórico.O fazer, ou ato,  é um teorema, no qual vem mesclado o ato de pensar e distorcer ao ato de agir dentro do tempo e espaço efetivo.
Os pensamentos de Newton  é melhor expresso por teoremas binomiais que por meios teoréticos ;  equacionam para mensurar o movimento em tangentes : é o pensar de um engenheiro inato, universal, um pensamento que carrega a técnica na linguagem matemática e torna a matemática o primeiro instrumento do conhecimento.Newton fabrica instrumentos intelectuais, assim como o homem primitivo das cavernas fabricavam instrumentos de pedra ou pau, dentre outros.É um pensamento sóbrio, racional, puramente racional, sem emoção, e, por isso, não sonha, jamais se permite sonhar nem sondar o onírico, porquanto é um pensamento para a vigília : cuida apenas da efetividade como sói ao engenheiro genial. Por isso não atingiu ou sucumbiu à popularidade de Einstein, que sonha, especula,  e ao sonhar e especular ganha o vulgo patético, amante do espetáculo burguês ou romano. Einstein, ao sonhar,  evoca o pensamento de Zenão, o eleata, no mover da fecha, um quadro de sonhos geométricos, que lembra os movimentos imagem a imagem do cinema. Aliás, é a geometria que faz todos os objetos de ciência, por ser sua linguagem primeva e fundamental : é a geometria que move e desenha as tangentes de Newton em senóides ou parábolas, com as quais se analisa a geometria no âmbito da realidade natural.
Freud, ao analisar o sonho, em seu teor simbólico, sua carga de simbolismo, não apaixona tanto o público, pois a análise psicanalítica tem uma frieza que queima, como toda a racionalidade expressa, e, consequentemente,  não encanta como o canto da sereia ao "público alvo"; no entanto,  sonhar com viagens no tempo, em companhia de Albert Eisntein, aquece o coração na lareira da paixão poética. Aliás a teoria das curvaturas do espaço de Einstein não passa de ser um plágio camuflado das tangentes de Newton.
Newton produz teoremas porque prova tudo o que assevera com experiências naturais, reais, efetivas, tiradas à natureza, como no caso da experimento do prisma, ao decompor as cores do espectro,  ou da lendária maçã, a qual  Newton mordeu e arrancou um pedaço com a boca de Jobs! Já Einstein cria experimentos para comprovar suas teorias, ou seja, vai da teoria à teoria construída nos instrumentos que  provam e, no paradoxo roxo,  erram por provas e nada provam, senão o que imagina prover com argumentos, fechar com linguagens.
Einstein sonha o pensamento de Newton ; faz do pensamento do filósofo natural um sonho de uma noite de verão.

sábado, 4 de agosto de 2012

REBUÇO - etimologia etimo

Rua pequena 
pequenina
cabe e coube na pena
do pavão ( que sou! :
Que sou eu?!...)
do faisão...
Mas meã não! :
- anã branca ao sol pálido
cálido
em seu calado
prenúncio da calada
preta na meia da noite
assombrada por trevas riscadas por coriscos
coruscantes
e ribombos no bombo
tambores
desenhando senóides no vento
( As ondas senoidais são o balanço geométrico
Euclides dançante
em corpo de baile
com a dança que balança
e embala
a água e o ar
na corrente eletromagnética
mudando e movendo o espaço
com um dos atributos do tempo
que é o movimento
- motor matemático
na equação literal comunicada
na análise da parábola cartesiana
que dança e canta e dana-se em parábolas!....:
- sem Jesus!!!
Dança é música de Musa em silêncio profundo e longo
- longo gongo!
cujo duo de voz é a melodia e o silêncio
- algébrico silêncio abacial )

A rua com seu casario
vinha de praça com estátua equestre
de presidente egresso do império de barbas
que errava pelo império de Dom Pedro
e rastejava qual quadrúpede
bêbada em tropelias
até uma velha ao cabo da vassoura do vento
- uma velha construção cor cinza-diabos
na pintura do tempo em corpo tatuado de lagarto
aonde funcionara uma indústria
aos pés e passos da linha férrea
e que ficara com inscrição em latim
ao frontispício
depois que abrigara uma academia de ginástica aeróbica
porque não tinha química para ser anaeróbica
respirando por bactérias
( Construindo e desconstruindo a alvenaria negra
lacertídeos que emprestavam matéria
às paredes do galpão
que se constituía em corpo desses lagartos negros cinzas-diabos
ao se cruzarem num ponto de tricô ou croché
da velhinha-do-tempo
que os tecia em uma mantilha
um agasalho ou um sapatinho de bebê )

De um a outro lado da rua
as casas cochichavam
brancas amarelas azuis...
( quatro casas a barlavento da lua
e seis a sotavento do sol )
e cochilavam à noite
remexendo-se na insônia
que não cabia no leito
por causa de um beijo
fora do tempo e do espaço
para ósculo de amantes
( Aquele beijo
Oh! aquele beijo delicado!
mui apaixonado!
metade sonho ou a meio ou em meio ao sono
mixórdia de matéria e energia de sono e sonho
onírico e real
ou a um passo do real
- aquele beijo que nunca nos selou os lábios de carne!
vindo direto nos lábios dela
no escuro da câmara
subjugando-nos no enrosco serpentino do silêncio
- beijo de lábios colados...
Ah! inesquecível amplexo de Íncubo e Súcubo
ainda que irrealizado
ou semi-realizado entre o surreal e o real
que perdura dentro da alma
ou das duas almas
que  o quiseram realizar
todavia não o puderam expressar
fora do entre-sono
entre-sonho
que selaram os lábios ali
para sempre
entre o que é sonho e vigília
matéria e energia
Contudo esse beijo veio dos lábios da amada real
em natureza física composta
separada de mim apenas pela barra da alva
as penas da garça
e a flor de laranjeira
na guirlanda de noiva
Seu nome está escrito
no paul em que vi a saracura
saracotear-se
em toda a minha poesia
( Minha poesia é uma linguagem
toda  voltada para dentro
que lambe com a língua
o que está no fundo do favo
e  traz à baila
o mel da melhor abelha
retirado do néctar da flor
que preconiza o fruto
a boca e os dentes e a fruta
- o metabolismo, enfim! ))

A idade da rua é a idade da cidade idosa
dos idos do século
com ordens seculares e regulares
ordens para suprir o tempo
e regras para se isolar do tempo
nos claustros dos mosteiros
nas abadias
sob regras
severas regras de São Bento Abade
a tirar o  mosteiro e o monge do mundo temporal
substituindo tempo por regras pétreas
( O que teia aquele tempo
é a teia de aranha
- teia da vida
que telha a dor moral
advinda do social
pela ciência do antropólogo traduzida
em signos e símbolos
que a expressa )

Em menina descalça na monja carmelita
a rua em criança no tempo
devia atravessar-se
nos jogos lúdicos
correndo de um lado a outro da rua
branca rua com cara de lua
branca do branco da nuvem
e da graça da garça refletindo o gládio de luz do sol nas penas
( Branco ou alvo garça
do pote da torrente do São Francisco
rio para potes de gerações de homens e ervas
arbustos animais e árvores frondosas )
nas gotas de rocio
no ponto do orvalho
que tecia e guardava um par de sapatos de lã
do bebê que viria em mim
na manhã da outra manhã
ou na madrugada gélida
com vento nas ventas dos moinhos de vento da Holanda
( Quando se é mui jovem
a literatura védica parece distante
no passo em que pisam as estrelas
longe do burburinho quotidiano
porém com a maturidade e a erudição
acha-se os Vedas no sebo da esquina
em suas garatujas originárias  )

Por um lado da ruazinha mansa e pacata
subia-se lentamente à casa de Rachel
- a "Dona Rachel" de andar algo fleumático
mulher em lipídios
tecido adiposo
onde não pousa a mariposa
de voo piloto na chuça da chuva em chuço sem rebuço
e do vento que ali passava
entre corredores
(  O vento é um corredor olímpico
atleta tetra
no corredor das borboletas
abertas as aletas
alertas no planador
que flutua em flor branca
do ar ao solo
calçados por ervas )

No princípio da rua
casa roxa com alpendre
olhava das janelas para o portão
- roxa casa enroscada na glória matutina
a soprar trombetas lilases
e indo índigo plantar
um bem de raiz
- a anileira!
Indo ainda ao indígena indigente
sem sinal ou som de língua indo-européia
assim como fui também indo índico
pelo caminho do índio e do hindu
com meus versos em trovas
com ovas de peixe
escritos com sumo de limão
no verso anverso do universo
versados em mamão à mão do violão
versejados por versejadores tais e quais
cheios de tantos ais!
na metragem metralha 
esparsa no espaço esparso da tralha...
- ou da gralha grelha galha palha...
Valha-me Deus!... )

No fim da rua
a casa do poeta
ficara com o legado do suicídio
Calçada alta
timbrava a solidão
com o brasão da morte do poeta
que se suicidou
Era um homem de sobrenome Quinaud
senhor de versos versus o mundo
( versado no mundo erudito?! )
com poesia escrita no sumo do limão
no infinito invisível
de uma noite negra e apagada de qualquer luz difusa
até no túnel ou labirinto do sonho
Nunca li um ceitil
nem um til
de sua poesia febril
- poesia para miosótis e sopros de jasmim
e outras flores de sopro perfumado ao vento de escotilha
que vinha na vinha de voz de minha mãe
em gavinhas e uvas no caramanchão ou pérgola
( Minha mãe é quem me falara do poeta suicida
porquanto amava a alma dos poetas
que para ela era um poeta
dentro de outro poeta
numa sucessão de poetas individuais
imbricados no mito de barro e papiro
das águas do pote com peixe de Jesus e discípulos
que era o rio São Francisco
de cachoeira em cachos cantantes
sem a planta do papiro
- Mãe, que se casara com um homem pragmático,
insosso
sem chão na poesia
sem escabelo na arte da erva
arraigado aos vegetais da cerveja
envasada na indústria de silêncio em flor de campo
da deusa Ceres
a senhora dos cereais
maltados ou naturais)

Uma noite
sono em plenilúnio
sonho com novilúnio
em plena travessia pelo onírico
- para o lírico do lírio na lira
entrei pela porta da frente de uma casa daquela rua
e ao sair pelos fundos
abrindo uma porta de madeira
- estava na China comunista!

Rua, ruazinha, travessa, viela... 
 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

REGATO - wikcionário

Como posso me perdoar
se  a tulipa negra que tenho
está na literatura de um esteta
- num romance de Alexandre Dumas
um literato de boa cepa
e não em plantio?!
- Não em terreno de orvalho
rocio brando no branco da pomba refletida
pelo aljôfar da madrugada dada sem gado caprídeo
mas na flecha empós o que o arco veio a flexionar
( Flexão e flexível não é a flecha
na aljava do espaço de Zenão de Eléia
um eleata, o Zeno
- a escol da ontologia )

Como vou me perdoar

se a campânula azul
contígua ao céu
é um véu distante :
estrela alfa ou beta
nalguma constelação táurea ou ursa
em Nebulosa de Gato
na névoa da noite
com a brasa apagada no carvão da lenha
ou hulha?!
Perdoar não é pendoar
remir
o santo no remanso
pousio (d'água! )
no regato ( do gato-sapato negro!)
âncora-pé a fundear 
sob areia abaixo da lâmina d'água
em mansuetude

O perdão tem haste na geometria

flor a brotar de dentro
do que nem é rododendro
ou rodopio
pio
- pio eremita
no deserto
que é o mundo ( Cão danado!
- Cão Maior rasgando o véu da noite no céu
Cão Menor em azeviche sem estrelas alfas e betas
para escrever a literatura cosmológica )

Perdão nem pendão
não está no estado de espírito
do anacoreta da garça alva
nem no ermitão da saracura
ou no eremita da seriema
atávicos com o barro da lagoa
e as ervas que a circundam o paul
pelo viés da elipse
- a fórmula que curva o círculo em gravidade-Newton-Einstein
O derviche ou o sufi
o monge
todo solitário em seu hermetismo
e mutismo
não pendoa nem está na amêndoa
oculta no envoltório da castanha
nem perdoa a turbamulta
que contra ele açula o mastim
- a matilha de cães maiores e menores...
Ficheiro:Egretta alba 2 (Marek Szczepanek).jpg

segunda-feira, 9 de julho de 2012

HINDUÍSTA - dicionário wikcionário wiki wik dicionário onomástico etimologia etimo verbete glossário lexicografia enciclopédia delta história historiografia mitologia mito

Pan, o deus Pã, o terror pânico, é, nesta última versão da palavra, realidade. Não há tervigesar, o pânico ou terror pânico, é o Pã grego ( o Peter Pã?! ) e a Síndrome ou Transtorno do Pânico, no jargão do médico e psiquiatra. Cada um com sua linguagem, configurando o objeto, da ciência, do mito ou da práxis,  na neurose ou psicose, no mito, que configura a linguagem, e no rito que configura o espaço geométrico na dança, música, drama e demais representações dessa práxis, que é o ritual, dentre outras inúmeras linguagens para objetos, dado pelos aparatos linguísticos do discurso, na palavra falada, cantada ou escrita e a práxis que desenha o ritual religioso , social, político, científico, enfim, o teatro posto no drama ou rito ou práxis do que se pensa.Cada linguagem ou ciência nomeia ( dá o "nous", ou inteligência ) do seu objeto, que é diverso, tanto quanto o nome e a figura geométrica no espaço vago e sem formas dos conceitos transferidos pelos vocábulos.Dentro da engenharia há uma práxis, assim como também na ética, no pensamento e em qualquer atividade humana : é como a política que está presente em todos os relacionamentos humanos. Onde há dois, duas pessoas, representando seus papéis no drama social,  há política e práxis, obviamente. O mito social está inseto no drama coletivo, o qual é seu rito. Essa é uma fórmula universal para todos os dramas representados numa determinada civilização.
O objeto interiorizado e posteriormente alienado na exteriorização ( a neurose, ou psicose, a histeria, por exemplo) mostra dois Pãs, ou espécies da divindade,  ou dois "medos-Pã" : um Pã introjetado ou introspectivo, não alheio, mas apegado ao pensamento, fechado no pensamento humano, sem saída, num labirinto para patas de Minotauro...; e outro (Pã)  alienado no mundo ou extrovertido, fora ou expulso, regurgitado do pensamento para a técnica ou para o que há no mundo das coisas fora do pensamento humano, embora concebido por este pensamento, com as instituições, as invenções técnicas, tecnológicas, os artefatos, enfim, técnicos ou doutrinários, tudo no sentido em que Jung colocava a linguagem, ou sua ciência, dando as duas faces da mesma moeda : o introvertido e o extrovertido, dois Narcisos no espaço do espelho ou lâmina d'água do fosso.
As doenças todas estão sob a insígnia ( ou égide ) do deus Pã ; há mais pavor que doença; aliás, o que há é o medo Pã, como doença e sintoma ou semiologia; o que há de fato é o doente que se fabrica assim para o médico de plantão, exceto nos casos de acidentes; outrossim, no que tange aos remédios, drogas ou  fármacos, o que há é mais placebo e sugestão e auto-sugestão do que imagina a vã ciência não aparelhada com linguagem apta a  observar certas realidades e objetos dessas "certas realidades" suprimidas da linguagem ou não supridas por elas. É como se falar em mundo paralelos : há linguagens paralelas
 ( e amarelas de impaludismo!).
Os médicos, em geral, não sabem qual a doença ou mal de que sofre o paciente em sua paixão; todavia, sabem de um nome para denominá-la; assim, ficam somente na nomenclatura e não passam à efetividade prática, à causa,  ou á engenharia médica ou práxis necessária para a cura ; a práxis ou engenharia química fica  adstrita somente à feitura dos remédios. A nomenclatura, que é menos que a linguagem, ou apenas parte da linguagem, sem a gramática e suas relações e ilações lógicas, a qual faz a ciência no abstrato, na arquitetura do pensamento, a que se seguem as engenharias e outras linguagens para os objetos a que vão de encontro; a nomenclatura fica sendo o único e unilateral conhecimento que o profissional, em geral, e outrossim o profissional de saúde acaba tendo do doente e da enfermidade ou síndrome, não a ciência enquanto linguagem, que então, neste caso, se torna linguagem-fóssil, encontradiça nas pedras dos caminhos longos, redondos, em voltas sem fim, como quem está perdido no deserto imenso, ancho, sem anjo, com Pã tocando a flauta ( ou o diabo no meio da melodia do meio dia : zênite).
A dicotomia e outras relações duplas ou triplas, ou quádruplas, etc., entre o indivíduo e a doença, como entes ou objetos separados, é impensada, desprezada.
Quando a nomenclatura toma o lugar da linguagem não é possível chegar ao conhecimento que está desenhada na linguagem, arquiteturalmente, nas concepções do pensamento que vão ser aplicadas ao conhecimento, o qual, depois dessa fase, passa à práxis e engenharia na aplicação dos princípios ( da razão),nos quais está contida a sabedoria, lida sob a forma de práxis em natureza;  na menor folha, ou palma, de palmeira podemos ler este livro da sabedoria, derradeira fase da inteligência, encetada no homem e passada aos demais entes humanos pela linguagem ( os genes da cultura), na qual estão os conceitos que se apóiam nos princípios ou leis naturais lidas na linha da vida ( e não linhagem do pensamento, pois o princípios ali encontrados vêem de fora do pensamento, estão na existência ), o que pode constituir a ciência, dependendo da propedêutica e da capacidade cultural e intelectual do indivíduo que lê e interpreta, ato no qual a linguagem comunica e é a ciência que comunica em forma arquitetural, ou conceptual, abstrato, intuitiva, enfim, uma geometria e uma linguagem matemática atende as comunicações da geometria em espaço e tempo; tempo, que está na visão e leitura do homem de algo matemático-motor que está "in natura" e mal podemos compreender senão sob a ótica de movimento.
O tempo é o movimento que percebemos, mas mais que isso é um conceito complexo, no qual estão colocadas várias funções e concepções que não pertencem ao conceito de tempo, mas apena os abstrai para mais ( a grande abstração) e não para menos ( pequena, média ou comum abstração), pois no conceito de tempo tem muito mais objetos do que o tempo, assim como sói acontecer em outros conceitos preso entre a grande e a pequena abstração, ou seja, a abstração que põe muito mais do que tem no objeto de estudo e naquela que tira matéria e deixa apenas a forma , como ocorre na pequena ou mediana abstração, que ignora propositadamente as infinitas relações dos objetos para poder isolar um objeto de estudo.
Todavia, o pior de tudo é quando a mente alerta e insaciável buca outros objetos, em relação ou unidos indissoluvelmente aos objetos primários, isolados no consolo do espírito da abstração pequena.Na interiorização e exteriorização de vários desvarios e de experiências vividas, do mito, oriundas do mito, quando surge o deus Pã, enquanto doença ou outra forma de incômodo, aí é que está exposto em toda sua complexidade a questão da linguagem, agora com tom poético, e as demais linguagens da ciência e da práxis em suas relações.
O complexo Pã ou medo-Pã não é simplesmente um deus, mas algo mais vasto e fundamental, que separa mito e realidade, pensamento  ( não teoria) e práxis. Entendo como práxis todo comportamento humano livre. A engenharia, a arquitetura, a ética, os ritos, dentre outros comportamentos e atutides humanas, são práxis. O mito ou ciência na linguagem mitológica ( na lógica, no "logos", na logística que ampara o mito e o rito : sua práxis), é, sob um determinado prisma científico-filosófico) do Complexo Pã, ou Complexo Medo Pã, dá o mesmo conhecimento e práxis que a geometria, em sua relação com o ser humano, ou seja, a relação espacial, que abstrai, na geometria, a temporal, mas a põe na ralação com o homem que, a ver ou abstrair o espaço na forma geométrica, tirando matéria e concomitantemente tempo, permite observar que  tempo, movimento da matéria, parece inexistir na forma; sem embargo, como as formas geométricas são mutáveis ( mutação ), até nas formas que um homem desenha diferententemente de outro ser humano, já demonstra que o tempo ou movimento também vai nas formas, pelos movimentos na geometria euclidiana clássica e demais geometrias não-euclidianas, como a geometria analítica de Descartes e outros. As linguagens para as geometrias, bem como para qualquer ciência são inúmeras e se contam pelos objetos que as aguardam plácidos.
O Complexo-medo Pã, vem evocar a individuação e, outrossim, o oposto do processo da individuação : a unidade ( ou o ser de Parmênides, filósofo de escola  eleata, escol de onde vem o berço da ontologia, parte essencial da primeira filosofia em terra ou alienada do pensamento do pensador filosófico já, antes de Sócrates ;  daí pré-socráticos, a história da filosofia ). A individuação é a fonte de toda paixão ( sofrimento, frustração, infelicidade, desunião, nascimento ou composição do corpo e morte ou decomposição da matéria de que é feita o organismo, etc. ) : a paixão de Cristo, a Paixão de Dioniso, que quando despedaçado
( ou individuado, na metáfora, alegoria, que quer dizer, outrossim, esquartejado, decomposto na paixão da morte carpido ).
 Neste estado, no qual o corpo se acha despedaçado ou decomposto, Dioniso é chamado Sagreu e, destarte, deixa de ser uno com o todo, e passa à trágica condição do indivíduo, que sofre, erra, ama,vive, morre, e não recebe em correspondência o espelho do amor, em devolução justa à paixão que emite de si para  outro : alteridade, cuja tensão tem diferença entre s indivíduos envolvidos nela, pois o ser humano é um Narciso, macho ou fêmea ( epiceno)  que suicida-se ao afogar e si, na sua solidão basta,  individual, impossível de romper : a prisão da solidão : "Ecce homo", eis outro homem,  desconhecido da linguagem da ciência ou sem linguagem perceptível ainda nos primeiros vagidos de uma gutural nomenclara, pré-histórica, arqueológica, ou proto-histórica.
O processo de individuação é que traz a morte e, consequentemente,  à consciência da morte, porquanto a morte é para  o indivíduo, não para a natureza ou para o homem enquanto gênero e espécie. O homem enquanto espécie afronta milênios ou mais; entretanto o indivíduo mal passa de um breve momento, um interlúdio fosco. Esse processo de individuação ( que informa a alma do budismo, do  cristianismo, do induísmo, etc.), ocasiona todos os transtornos na vida do ser humano, que, diferentemente da erva daninha, o percebe, tem consciência da individuação e suas consequências fatais.
A doença nasce dessa compreensão e apreensão da realidade brutal, é uma regurgitação dos venenos consumidos vida fora : vida social de coadjuvante, que a maioria leva às costas e o consequente alcoolismo, tabagismo, alimentação deficiente, temperada no agrotóxico e hormônios, conservantes potentes, desamor, baixa estima; pouco dinheiro e poder pessoal, político, sócio-econômico ; miséria intelectual, dentre outros fatores ; portanto,  noventa por cento da doença de um indivíduo reside  e é criada pelo doente, que é o ser humano desperto e, evidentemente, levado e elevado à loucura ocasionada por este despertar búdico ou crístico ou nietzschiano ( o Buda ou Nietzsche na percepção do fenômeno dionisíaco, o Cristo, são alguns desses indivíduos perceptivos da realidade crua da individuação ), ou seja, o indivíduo ou o ente individual cuja  compreensão da realidade, que o fere de morte, desde o nascimento, torna-o um ser búdico ( iluminado, um Buda  ) ou dionisíaco ( selvagem ou natural, instintivo,  ou ingênuo, no linguajar de Nietzsche) ou crístico ( dominados pelo amor ágape de Cristo e São Francisco de Assis, dentre outros), este próprio indivíduo e mais ninguém nem nada fora dele, é o criador  de sua doença, ou, se  quiser,  o curandeiro ou médico ou xamã que se auto-cura, pois o corpo cura tudo, tem capacidade regenerativa e degenerativa, fato que a ciência não pode adivinhar, nem quer admitir,  ou ousar sonhar, mesmo porque apagaria parte da política de dependência social, o elo médico-paciente, farmácia-clientela, mestre-discípulo e outras formas sociais de dependência cômica, senão trágica ; os outros dez por cento da doença, que sobra,  é somente efeito colateral do doente, ou seja, a doença é somente esses dez por cento, o resto dos noventa por cento da doença é criação do doente, uma personagem trágico-cômica entre os médicos. Tais efeitos colaterais são produzidos pelo doente, drogas de farmácia, médicos, iatrogenia, alcoolismo, tabagismo, vários tipos de envenenamento efetivo ou metafórico, etc..
Estes indivíduos que vivem essa paixão que representam em si e para os outros, são, enquanto indivíduos cônscios ou inconscientes de suas mazelas representadas e sua paixão ( doença) , em geral, são seres humanos  despertos repentinamente por algum sofrimento insuportável, uma guinada radical na vida que o abalou completamente há alguns anos e que depois tem que ser regurgitada como doença, no vômito social, a fim de evitar a morte prematura. A doença é a própria cura perpetrada pelo corpo, cujo fito é responder aos processos de infelicidade que envenenaram o organismo durante a grande tribulação  e somente acontece depois que passa à "grande tribulação" que assola o solitário e abandonado indivíduo, entregue à sua própria sorte, mormente quando a sociedade ( família, empresa, igreja...) podem prescindir de sua existência ou esta se torna um peso ; enfim, o estado em que se lança o corpo do indivíduo para se salvar da morte certa,  da doença levada a cabo pelo indivíduo, na forma de neurose ou de química do corpo, é uma reação natural e sábia do indivíduo  que  percebeu o desamparo a a solidão inenarrável a que está sujeito, a precariedade da vida,  pois todo indivíduo é, antes de tudo,  uma personagem de tragédia escrita e representada por ele, indivíduo, ente mortal, como Sócrates no silogismo, o ser humano que se vê , de chofre,  nu, expulso do seu meio, sem nicho,  em meio a intempérie assustadora, a qual sopra a zarabatana envenenada de morte aos quatro ventos, nas ventas dos cavaleiros do apocalipse diuturno e nos foles dos pulmões do moribundo.
Noventa por cento percentual da doença é fabricado pelo doente, seu cérebro, sua mente e sua vida pregressa e atual, que ele rejeita ( rejeição, repulsa ) ; os outros dez por cento percentuais são efeitos colaterais : médicos, drogas, química a formular ou reformular a matéria ferida pela mente do indivíduo. Essa conclusão velada, por assim dizer, está implícita no budismo pela doutrina do induísmo ( reencarnação, ou seja, retorno das ervas nas sementes : o vegetal é a vida ou a alma da vida que anima a planta, o animal, o homem e tudo o que possui vida ), na doutrina do eterno retorno de Nietzsche, no cristianismo com a ressurreição, que não passa de uma evocação óbvia da primavera : o fim do degelo, o apagar a lareira. A Seicho-no-ie exprime , de forma explícita,  a doutrina hinduísta-budista e cristã, quando fala da perfeição universal, na qual se reconhece a unidade e se demonstra a dor da ser dilacerado em indivíduo, ou seja, na união com Deus, que é a única salvação do indivíduo e do processo de individuação, que ocasiona tanto mal e degeneração no mundo estribado na individuação : o mundo infeliz de Sagreu, o indivíduo trágico em Nietzsche.
A ciência e a religião são mitos temporais, ou linguagens para confirmar ou verificar, dar crédito ou credibilidade a mitos; a poesia oculta nas equações ( expressões de linguagens ) fala de Deus e expõe a mitolologia de todos os Hesíodos periódicos, em tabelas mensuráveis. Podem ser ponderados, pesados na razão. A filosofia é a única forma de fuga e criticismo do mito, mas por isso mesmo é um instrumento detestável, deplorável, eivado das superstições e preconceitos, bem como contexto sujo, de seus feitores e autores. Torna-se, destarte, algo inútil, pedante, kantiano, fossilizado no diálogo escrito dos filósofos de todos os tempos, que discutem hoje ( agora!) todos os tempos e sempre o farão, enquanto houver língua e homem.
 

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