sábado, 12 de janeiro de 2013

GRUIFORME(GRUIFORME!) - verbete glossario lexico

Com ela  a grua e o grou, o grou a a grua,
tem um encontro transido 
pelo cio em rito 
de acasalamento e nidificação:  
sagrada família gruiforme(gruiforme!).

Houve um tempo
(período no olvido,
nas águas do rio Lethe)
em que ela vivia 
numa Era de pedra,
paleolítica, pré-histórica,
longe do meu tempo enramado
nas heras do caminho
de espinho e rosa,
de poeira de lua,
empoeirado pelo luar
que foi à soleira do lupanar
vender "garopa".
Tempo na trempe
em que meu olhos
não a cobriam com terra de luz
e nosso  amor
ainda em gestação
não fluía nos fluídos
da torrente fluente
afluente do cedro e do gamo
- dois arroios internos
rumorejando seu canto mudo.

( Sou o pastor apaixonado
pela térmita que há pouco
segurei à mão
com um carinho infantil :
o carinho que a ela
só posso dar pelos cantos dos olhos
em rutilância estelar
do olhar cativo
de quem é  apaixonado
e quer apaixonar,
perdidamente...
perdidamente ficando
os dois perdidos!
em rito e ritmo luar e solar.
( O amor é a perdição
- e a salvação
num mundo que é nau à deriva,
brigue à bolina,
bem antes de Cabral,
"cabalisticamente",
por cá aproar e aportar
na baía Cabrália
em cacofonia forjada).

Sem ela não há arrazoar
e a arenga fica
em lenga-lenga de língua
com o bestunto besta
besuntado na graxa preta
do ácido não-graxo
e não-nigérrimo.

com ela
não há passamento
que passe sobre a primeira veste : a derme
e a segunda : a epiderme.
Então  vem o berne
no trajeto pelo transepto
 da mosca do berne
que ama o verme
e seu retorcer
- gesto de vida
e de vista da vida
avistada no objeto visto
pensado, prensado, alheado...

O amar o mar,
o amor ao mar
em marcha e maré,
ré de músico,
baixa e sobre com ela
no oboé que canto ao violino
em um responso (sonso?!)
porque ela
está na térmita nanica
que pousou à frente do teclado
em que teclo este ensaio.
Na mariposa que pousa
e vai se desfazendo de asas translúcidas
desenhadas pela brisa,
engenheira do vento,
e para a brisa em modo de chuva
no para-brisa do veículo
que não para
nem na queda
do anjo torto no mosaico
da família "mosaica".
Família-mosaico?!).

Com ela os himenópteros
ganham o tinto do negro retinto
e o branco nada tinto,
nata branca,
nas águas-furtadas
a re-luar pelo luar
que tem relicário no mar
- mar de amar e de Omã.

Sem ela sou um relojoeiro
no canto do joio
e em aboio de arroio doce
levado pela torrente da tormenta
morrendo afogado
sem saber nadar
no mar de alétheia
ainda não inquinado
pela mancha
que não mancha
o manche no Canal da Mancha
levando a lancha
e o lanche
para Sancho Pança
se empaturrar e se refestelar
na hora da  sesta
na tarde escaldante
sem cauteloso luar branco.

Sem ela
viela bate biela
e dobra esquina na Bielorússia
sem inquinar o país.

Com ela
mela-se o mel da jataí
aí e aqui no pequi
e na mata atlântica
que não mata o atlântico sul
nem o pacifico azul
com náutilos na concha
acusada pela acústica
que se estica no Estige
para ouvir o ouvido mouco
em tom rouco,
roufenho, de velho engenho de cana-de-açúcar
engenhado pelo engenheiro
engendrado pela cultura
que o desenhou, esculpiu, pintou
corpo e mente em Rodin, Bernni,
Van Gogh, Picasso...
e o matemáticos que arranjaram os cálculos
calcados em Arquimedes
e Euclides que mede
a Terra, a Gaia e os céus de anis visíveis.

Toda relação humana
é uma ficção de interlúdio
e se não inventamos o vento no espírito
e invertemos o amor
na graça de Deus,
ela, a paixão, não se põe entre nós,
não nos amarra em seu nós
enquanto artefato cultural:
O amor, o amar,
mesmo todo o mar
vive, sobrevive nela,
dela, porque é dela o amor,
graças a graça das Três Graças
que dançam nela
em corpo e espírito,
corpo com alma
( idem das graças se esgarceando...
céu branco...
brancas nuvens,
broncos homens... ).
O amor que grassa,
graças a Deus!,
na imaginação dos enamorados
em transe e estado poético
que sublima a sanção da lei
- esta senhora de escravos do estado
de direitos decantados
em lamentações de um Jeremias
- chorão!,
de alaúde em mãos
e ataúde na mente ensandecida
pela tristeza que não poupa Alteza
de príncipe e princesa... :
O amor, sim, a paixão do amor! :
- o amor é dela!,
concerne à natureza feminina dela,
pois nela bebo o leite
que emana das tetas
e dá de mamar à criança
que um dia abandonamos em pele e osso
para viver o adulto sofrível
num mundo dos frustrados,
uma leva de prisioneiros...
Dela vivo, do mel
que regurgita na colmeia
para o zangão e a abelha-mestra
( Ah! há um tom no gênero
que modifica até a acepção
dos vocábulos para príncipe
e princesa, no feminino,
sendo o príncipe
para a guerra de conquistas esquisitas
e a princesa para aguardar
o amor do príncipe encantado
no sapo homem :
um sapoti,
no feminino final
que refoge às gramáticas
e se esconde dos léxicos
no eufemismo da voz gutural
em eco de boneco morto
no quarto de brincar
da antiga criança
que fomos num dia claro
e numa noite negra
vertida com os sonhos do dia
e assim acordado no sono
pelo sonho em valsa de Chopin
com um noturno no fundo falso).

Contudo, este nosso amor brioso,
a todo brida,
enfronhado na batalha,
indo ao encontro sinistro
para combater valorosamente
os quatro cavaleiros do Apocalipse,
e quantos mais houverem
a cavalgar, a trotando ou galope,
- este amor pode ser imolado
nas aras dos Capuletos e dos Montecchios
que se odeiam politicamente,
mas não polidamente,
enquanto amorosamente,
"amoralmente",
nos queremos tanto
com todos os ventos e ventas,
com todos os diabos no ar
soprando a favor do sangue
que ferve e galopa
na garupa da garopa!
- à garoupa!
(Vinde a nós
vós, garoupa-do-malabar!
( Em nomenclatura binomial
ou jargão para biólogo ficar à oitiva :
"Epinephelus malabarius")).

Aí, então,  vem minha guitarra,
solitária no campo de foices
onde até a lua se entorta em foice
- falciforme lua no céu...
Aí minha guitarra...
ai! minha guitarra!
toca meus dedos
e começa a  prantear George Harrison
e todos os amigos"Beatles"
ou não-"Beatles"
que me chegaram em canções gentis
num tom sutil
arranjado em suas guitarras
e voz de trovador no rancho
onde não me arranjo
nem me arranjo
ou arranho o banjo
do anjo morto
caído, decaído da murta,
suspenso no odor da lavanda
que lava e leve o olfato
não em leva de prisioneiros,
mas de filósofos e poetas livres
para viver,
que mais que sobreviver,
é amar até o mar secar!

(Ah! preciso dizer
que há fósseis de náutilos
no Baixo Mondego).
(Excerto dos "Apócrifos da Medusa").

Medusa

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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

PAU-BRASIL(PAU-BRASIL!) - enciclopedia verbete glossario

Sem ela
não há janela
ao encontro de coleóptero,
lepptero,
himenóptero...(himenóptero!)
Sem ela não há novena, novela, hiena, avena...


Sem ela não há como arranchar 
amar mar  
marcar marco 
 martirizar Marte 
 ser mártir em Martirológio 
  e coisas mais loucas postas
em palavras quais estas
 aqui postadas. Postuladas?!  
 
Sem ela,
que será de mim?!
 

será...: ai! de mim! 
Será o que será! 
( Espero, oro 
para que não seja triste assim!  
No fim  há sempre um amendoim... 
e uma amêndoa que doa a casca, castanha, carapaça!...
Que isto não doa!, em mim, a final...  )  

Sem ela,
sem hora,
senhora, ó senhora,
o que será de mim?!:
Serei senhor
sem mundo,
terra aonde irei replantar o mar...:
o mar de Omã.
Ãhn!

Sem ela,
Martim pescador
vira a canoa
no rio bravio
com gorgulhos,
em engulhos...

Sem ela
não há luar,
cantar, olhar, chorar,
respirar, inspiração, paz,
pás de moinhos de vento
acenando,
desenhando o amor
no aceno
escondido do adeus
nas palmas das palmeiras
que me deram adeus
quando eu era ateu
e vivia sob o breu
com uma noite escura
sobre a  alma
sem Cassiopéia.
Ela é Cassiopéia
em estrela no céu
e Cássia no vegetal
que alimenta a mulher,
que amo tanto!...
De bilhões de tamanhos do céu
( ò céus tamanhos!)
é o tanto que meço
do que amo ela:
"Ad infinitum"
amo-a

ainda que amuada,
 amada amudada! 

Sem ela
não há ar,
nem mar há
a encher um  mar
de Omã...
Ãhn!

Queria tanto ficar com ela
- e para  sempre!
Entrementes, sei que as mulheres
são eminentemente práticas,
prosaicas mesmo :

sói que assim sejam...
- e nada líricas,
sem liras,
excepto as libras esterlinas...;
 lírios não líricos,
liliáceas, são as mulheres,
- liliáceas com nomenclatura binomial
e binômio de Newton,
o físico que era, em verdade,
um filósofo natural,
o qual jamais quantificou
o quanto queriam os "quanta"
que avivam a brasa
no braseiro do pau-brasil (pau-brasil!)
e da física dita quântica,
a qual quantifica o pau
inquantificável
que foi para a freguesia de Alquerubim
no concelho de Albergaria-a-Velha.

Espero que ela
não seja assim
- quântica
tal qual um jasmim
sem mim
no arbusto
- adusto?

Sem ela não há moinhos,
não há ventos,
ou se há ventos,
e se há ventos,
estes são
eventos de morte
no expirar dos moinhos
e não no ato de inspirar
que fez um moinho de vento
- do vento das ventas
de Van Gogh
e outro moinho plantado no vento
que "semelhe",
assemelhe-se  e semeie
mil Monet em movimento de clausura,
expiando  moinhos de ventos
e cata-ventos asfixiados.
Pobres inventos dados aos ventos
que emitiram o último suspiro,
sem ela
em amplexo comigo
a caçar eternidade.

Sem ela
não há eu
porquanto meu coração
foi transplantado
do meu peito
para o peito dela;
e agora bate
sob o seio dela.


Porém,  se o coração dela
não fez o mesmo trajeto,
então não é amor,
nem um "pathos"
há aqui
na terra do pequi;
e sem "pathos"
não há pactos,
pois o amor é recíproco
e não havendo mutualismo
não há de se ver paixão,
abrasão cega...,
mas apenas obsessão,
solidão em solitude,
monomania
sem empatia,
histeria,
histerese...


Se o amor é platônico
não passa de um solilóquio
fundido com a solidão do insano
e a solitude do ermitão.
Em vão.
Amor catatônico!Bah!

Sem ela,
cujo codinome é medusa,
não há eu :
- e eu estou sem ela!;
logo, sem mim,
sem meu ego.
( Estou no escuro
do meu ego de menino,
perdido para ela,
procurando por ela,
entregue a ela!...).

Sem ela
estarei sem hora...
- Senhora da minha vida!:
- Inexistirei:
sem hora,
senhora!...

Ela : estrela no céu constelar : Cassiopeia! Árvore da vida no jardim edênico : Cassia!:
Um cinamomo. Mulher em cuja espécie  está classificada a Medusa,
água-viva em meu corpo
e minh'alma amalgamada.

Medusa!, mito de mulher
cantada em apócrifos. 
Medusa

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terça-feira, 1 de janeiro de 2013

FLERTE(FLERTAR!) - glossario wikcionario


No Livro da Medusa
está escrito por mim
que minh'amada
é uma Medusa:
mulher, mito e animal
e, evidentemente, vegetal,
porquanto é o sistema do vegetal,
dito vegetativo,
que há em todo animal,
que mantém os seres vivos
vivos.
(Aloe "Medusa",
aloe medusa!).

Água-viva é minh'amada Medusa:
um ser para mar
e muito amar...
- a maré...:
 baixa-mar!
preamar! :
sobe-mar!
- dos Sargaços!
Eis as ordens dos minoritas!

Lua e mar,
mar e lua,
a se mirar
na amplidão
do coração que cora no mar,
pois o luar
vem amar o mar
ao mergulhar
com corpo de mergulhão
e, destarte, amar o mar
enquanto lua,
na palavra para fêmea
e mar,
na fonética e grafia para macho,
no encontro macho e fêmea
criado pelo Criador incriado,
ingênito,
unigênito em Jesus Cristo :
o homem e o Deus
concebido pela imaculada.

( O flerte(flertar!: Flechar?!) do mar
e da lua
constituem elementos de tragédia
na paixão e suicídio
da louca Ismália
no poema trágico
de Aphonsus de Guimarães,
um pobre, rico Aphonsus!
cheios de responsos
nos sinos que bimbalham
na paixão Segundo o pobre Alphonsus,
em magoados responsos.
Traria  Ismália,
em seu seio virginal(?),
todo o "Setenário das Dores de Nossa Senhora",
em "Câmara Ardente"
de uma "Dona Mística"
na espécie "extante" de Adélia Prado...:
outra "Dona Doida",
na poesia que envolve em anelo
uma economia da loucura:
"Encomium Moriae".
( P.S. : Em função desta economia,
sempre política,
que nos massacra a todos,
o codinome medusa...
para dizer,
em indústria de silêncio
a laborar de rocio a rocio
sem ouvintes impertinentes,
- para ousar expressar
 o quanto a amo,
do "quantum" deste amor
há em meu peito arfante,
e tentar, assim,
debuxar, bosquejar,
delinear, esboçar,
uma descrição
com discrição...
com licença
- poética
sua, madame,
minha dama!)).

Minh'amada medusa
nada no mito e no mar,
no mar  de amar o vermelho do sangue
em hemoglobina,
compostos constituintes
do  inteligente e sábio
sistema nervoso vegetal,
que em mim têm regência,
pois é o que me faz vegetal
e, concomitantemente,
um ser vivo
para a medusa
na planta do corpo.
Aloe Medusa!
Aloe maculata,
aloe saponaria,
aloe umbellata,
aloe perfoliata,
aloe latifolia,
aloe leptophylla,
aloe brevifolia,
aloe brevioribus,
aloe prolifera,
aloe ciliaris,
aloe variegata...

Medusa

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

CADINHO(CADINHO!) - verbete wikcionário dicionário

Medusa
Minh'amada Medusa é mortal,
a consonar com o silogismo
do "Corpus aristotelicum",
que ora, ora no meu cantar
eivado de cantares:
que o ser se desmancha no ar,
evola-se do corpo desalmado
evoluindo em espirais
sem ais ou quaisquer alongamentos mais.
Momentos de movimentos finais
nas pastorais em sinfonias corais
escritas pelo poeta em hora de aedo.

Ademais, o ser se dissipa(dissipar!),
literalmente e naturalmente
restando o corpo aos vermes,
que dançam seu tanto de tango,
e os ossos para o tempo roer
( o tempo é um rato! :
um roedor pertinaz,
perspicaz, assaz na perspectiva
de "Mickey Mouse",
habitante do mundo imaginado,
paginado, desenhado,
jamais desdenhado
até que se vá
o dente do siso
no boticão do odontólogo.
Dentista era Tiradentes,
aquele inconfidente.
Loquaz, mordaz, falaz, rapaz...,
ao "surrupiar" da boca
um sopro de assovio
de flauta natural
em Pan refugiado do mito?!)).

A Medusa que respiro,
que me sopra o ar
com o oboé em ostinato
na pastoral de Beethoven,
pode deixar de mover
a alma dos gases nobres ou pobres,
ricos ou de bico
e expirar na nova sinfonia,
sua cobra coral,
para a Cleópatra que é
junto ao ser da Medusa,
sem blusa...
em flor difusa
que acusa
a volição, a volúpia
da Harpia, no gavião pedrês,
macho e fêmea criados
para a hora crítica da  paixão
com Cristo ou sem Cristo...
na unidade dos corpos
- e penas!
que dão o voo
e a dor em contraponto,
fuga da vida,
anúncio, anunciação...
- núncio da morte
e signo de vida.

Se a Medusa, que em meu corpo
é terra e água do mar,
parar de respirar
e com seu sopro de oboísta
mover céus e terras
pela atmosfera que cria em mim,
ficarei sem alma,
sem "atmosfera" para insuflar os foles
que tocam a música da vida
originária da Musa que é minha Medusa:
a Musa de revoltas madeixas
ao vento boreal
que os despenteia
em meia teia de aranha.

Sem a presença dela
dando alma à minha atmosfera
ficarei sem esfera
e sem Era geológica;
passarei  a inexistir
ou a existir sem vida,
mero ente sem ser,
pois a minha vida
é toda este amor
pela cabeça, pelo corpo,
pela alma e pelo ser da Medusa,
que é minh'alma,
- minh'alma até no miado do gato,
no chiado e correr arisco do rato
que tem uma cota de tempo
- no próprio tempo!,
ao menos em  castelos de "Castilha"
e em Andaluzia,
que sem Medusa
não luzia,
não luziria,
não luzirá
e não há-de luzir,
porquanto o universo se apagaria
e o cadinho(cadinho!) estelar
morto sem seu "ar",
( oriundo de um oboé "soprano"
soprado do plano de um imaginário
País das Maravilhas sem Alice,
não aliciado...),
escureceria ainda mais
o carvão-de-escuridão,
a hulha  da noite sem fim
para mim
já (jaz!, Jazz) com a alma negra
sem o oxigênio das narinas dela,
da minha Medusa,
meu oboé, minha oboísta solista!

 
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sábado, 29 de dezembro de 2012

MITOS(MITO!) - dicionário verbete dicionário wikcionario




















Desde que a Medusa
fugiu dos mitos(mito!) gregos
e veio habitar na minha proximidade
( dentro do meu coração!)
aprendi a me doar;
antes era hermético ser
escarnecedor do mundo
dos homens e das mulheres
fúteis e broncos
em broncoespasmos
ou estreitamento da "luz" bronquial,
na terminologia científica
em diagnóstico médico.
Agnóstico diagnóstico.

A minha medusa me conquistou
tomou de assalto meu coração,
meu corpo, minh'alma
e todo o meu ser.

Não sobrou espaço
nem tempo no espaço
para infelicidade.

Ela, a minha Medusa,
me sopra a vida
com um oboé
que toca o meu ouvido
na dança clássica
do belo par que formam
o martelo e a bigorna
ao tocar e dançar
em ondas senoidais
esparsas no ar
em doce cantar
de sonata em soneto.

Ela me toca
e meu coração dança
a valsa de Chopin ao piano.



Adeus "Tristesse" de Alfred de Musset
e do estudo de Chopin
para piano em noturnos
soturnos na noite
em turnos turvos
na asa não-delta do morcego
e do corvo curvado
em versos elegíacos.

Todavia, depois que aprendi a amar
do tamanho do amar do mar,
de mar a mar
até superar o mar oceano,
aprendi quão árduo é o amor
com os Capuletos de um lado
e os Montecchios do outro
se odiando e porfiando ferozmente
feito duas alcateias rivais.

Toda paixão, todo amor intenso,
imenso, belo,
é uma tragédia
com alma italiana
e poeta trágico inglês;
e sempre se passa
entre um outro Romeu
e uma outra Julieta
em outra terra e tempo,
com a mesma doçura.

Entrementes, entre-dentes a ranger,
sempre está plantada,
essa tragédia vegetal,
em sistema vegetativo
ou sistema vivo,
entre o amor infinito
de dois seres humanos
e o ódio avassalador
que separa as outras pessoas
do discurso em curso.

Convivemos em sociedade
prisioneiros das palavras
enfeixadas em leis, costumes...
e sob a máscara de ferro
do ator que age
para o ser humano se omitir,
ó minha bela medusa
de belos cabelos
de serpentes peçonhentas
e olhos de paralisar em pedra
àqueles que não a amam,
mas não o quem a ama
com todas as forças telúricas e cósmicas
que brinca entre o céu a a terra.

Os céus de belo anil
e pretos anuns
passarão tal qual o passarinho,
mas o meu amor
pela minha medusa
jamais passará,
nem conhecerá a morte!


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ANDALUZA(ANDALUZA!) - verbete


Quando ela chega
com os cabelos cheios de cobra
eu a temo,
tremo temerário,
temente à ela,
porquanto o amor
é o temor da senhora.

Ao menos o meu amor
é um temor à ela :
um medo infantil
do menino que olha a mãe
com as madeixas
nas queixas da Medusa
no ápice da ira.

O temor àquela senhora
com serpentes sibilantes nas melenas
e adagas nos olhos furibundos,
(iracundo olhar de Górgona!)
põe à deriva meus navios,
pois "a sabedoria é o temor do Senhor",
assevera esta verdade
a Sagrada Escritura,
mas eu acrescento
num crescendo humílimo,
anti-beethoviano ou diluviano,
que a paixão do amor
é, outrossim, o temor à  Senhora
com olhos de gládio
e cabelos de Medusa.

Que madeixas cor de ameixas
e quão belas elas são
mesmo abrigando
um  ninho de víboras,
mais letíferas que as línguas viperinas,
ó minha apaixonante
e apaixonada Medusa,
deusa de todas as divas
ao som do meu coração
que a cada sol
cada lua pranteada
pelo rio de rocio
em rumorejo de Tejo
no álveo da madrugada
- é mais seu coração
que meu coração no Corão
letrado em árabe
e arabescado
no melhor da geometria moçárabe,
ó moça não-árabe,
não-andaluza(andaluza!),
senhora sem véu,
sem céu,
sem  burca,
nem buço ou rebuço!
Porém, com muito rebuliço!

(À flor que és
sem viés
merece uns cafés...
rainha minha
acomodada em favo de mel
do meu amor hexagonal).

 File:Medusa by Caravaggio 2.jpg
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sábado, 22 de dezembro de 2012

CHALAÇA(CHALAÇA!) - verbete


Um poeta nem sempre,
nem sempre-vivo,
nem-sempre-vivo
na sempre-viva vida,
quiçá, assaz vivaz,
quando muito,
usa do chiste:
outro chicote,
na chacota, chalaça(chalaça!),
na massa atômica,
molecular, nuclear...

Chiste, não xisto,
que existe
(eu existo,
"logos" penso,
apenso o senso)
para açoitar,
açodar, acicatar...
Acicate.

Todavia, quando fala da planta,
diz da botânica
( o bardo se espreguiça
em saltério na botânica)
e mais que a botânica
aborda a biologia viva na enguia,
discorre córregos que correm
em corredeiras de águas sombrias
a buscar a cássia
vegetal feito em água de dentro,
por dentro, água nuclear,
eucarionte fonte
de mel e leite
no jardim de dentro do ser,
à espera das hespérides,
buscando a origem da vida,
a alma na glicose,
a mãe no ventre
onde pisou primeira terra
prometida, em embrião e feto,
o aedo que produziu a gesta
e a besta
- na fera e no artefato.

Oh! o feto arbóreo!,
boreal no vento
( Bureau na política paleolítica
em pálido estágio de pedra ),
no vento que venta
que vem e vai
varre e inventa
no que venta
nas ventas do derviche
que gira, roda,
revoluteia em teia
de aranha
que arranha
o arranha-céu
com garras felinas
fincadas no flanco
da abóbada celeste (- Alceste!)
que veste a leste
e a oeste deste itinerário
descoberto, desvelado...
posto ao oposto
do homem que velou
em tese do intelecto
ou mero ato físico ( ou tísico?)
do feto desarvorado
em abrupto aborto
torto morto
hirto no horto
caído da queda do anjo decaído
- pois folhas são
quais anjos,
iguais a arcanjos,
penduricalhos em árvore
de folhas caducas,
caduciforme, não-perenes,
infensas a não-queda
sem para-queda...

Quando canta a flor na mulher
canta a floresta negra,
o rapsodo, o trovador,
que encanta o canto
no chão do cantochão
com folhas amarelecidas de outono...
canto o chão!
aonde ela pisa
lisa de Elisa, cartão Visa
net.
(Não é, meu neto?!).

Ah! há a floresta de bétula
- noiva de branco,
mas não a mulher alheia,
a feia alheia,
bela na inversão da paixão
que espia e expia
os meus olhos
em expiação de espião.

Folhas escritas em versos,
cantadas cantatas
em liras de Marília de Dirceu
ou do pastor apaixonado,
perdidamente apaixonado
pela bela árcade,
longe da Arcádia,
errando pelos campos e vales
e prados e riachos
com pés descalços n'água límpida
do arroio em arroz
plantado
no que o olho é verde
ou negro na amada
que olha do escuro
da noite na alma
de Joan Miró
em  mulheres noturnas,
Chopin em noturnos
e São João da Cruz
no claustro silente
penitente.

Sim, a Cássia,
acácia...:
a Cassia, no espartilho da flor amarela,
é uma mulher
e uma árvore da vida :
A árvore que doa,
dota, adota a vida
corrente rio na seiva
e refletida pelo espelho do sol
no Narciso a se mirar
na sacarose,
maltose, lactose...
que são o que é o mel
no verde vegetativo
em sistema nervoso
( um rio em verde
à jusante e à montante
pelo corpo do poeta)
tocado pelo violinista verde
em ósculo com a música
e a musa do azul
- do azul violinista do anil,
na anileira em floral
de Bach frugal,
fuga de Bach,
- Bach fisioterápico
em pico de capitalismo
picante
sem marca de Marx.

Não posso dizer
do amor que sinto
nem a que venho
porque vivemos,
minha bela,
sobre a pressão das palavras
- sobrevivemos sob a prisão das palavras:
O mundo é uma prisão de palavras...
ergástulo em palavras,
letras de lei,
signos de reis,
insígnias, símbolos de imperadores
- dos horrores políticos
perpetrados sob sol e chuva,
noite e lua
no anel da menina bela,
ancha do anjo da verdade:
ancho o peito no seio,
coração palpitante
de vida e amor,
que é mais vida
- e mais amor
e...

Um poeta
ou ensaísta à vista
nem sempre usa de chiste
- chiste que existe
para açoitar os lombos
dos quilombos,
dos gongos, bumbos...;
contudo, quando fala da planta
- que planta!
fá-lo no "logos" da botânica
ao nu do olho
fincado na raiz
de botànica agônica
que, destarte, de certo disserta
sobre a cássia ( "cinnamomum cassia "),
Cássia-imperial ("Cassia fístula"),
buscando a fonte da vida
na alma de fronte à glicose,
especulada em Narciso,
e a mãe na madre,
na madressilva....,
onde provou primícias da terra :
Gaia, Gaya, galha! :
Gea, Géia (geléia!), Gê, geada...

Uma mulher
é uma árvore da vida
e do conhecimento do bem e do mal
do zen e do mel
do fel e do véu,
mas uma mulher
por bela e doce
tem sempre um travo
amargo
que vegeta e é vegetal
no sistema de nervos
com autonomia inata,
lei nata,
no leite, leito e flor fosca,
tosca em tosa de olho
que a vê
tosa musgosa.Glosa(glosa!).

A mulher (e o jacaré)
é a árvore que doa a vida,
doa a quem doer!
- Vida corrente curva na seiva
e refletida pelo especto solar
no Narciso em glicogênio
tocado pelo violinista verde
em ósculo com a música do azul
violinista do anil).

Os poetas arcaicos
e os árcades(árcades!)
não nativos,
mas inativos, da Arcádia,
usavam nomes mimosos
de Marília, Natércia e Beatriz
para formosuras casadas
em suas travessuras.

Em sua botânica,
na botânica na mulher,
(e falo da raiz do homem
que é a mulher,
sem tocar a cítara
do amor platônico
nas canções sem Musset :
musselinas em musas
e músicas em poesia
que Lia lia antes de Raquel)
- no sistema vegetal da mulher
o homem no hímem cata a vida
na folha virada para dentro
do olho interior
do ciclope cíclico
que olha para o fundo
do abismo profundo
que a mulher
às vezes é
na paixão sem Cristo
do natal triste
de um monge que existe
para parodiar...

(parodiar o ar!).
Houve um arulho de amor...
depois ouve o chiste,
bem triste
do amor que foi
morrer no desterro
do desprezo,
no menoscabo
que apagou a paixão 
pela mulher  em pelo,
sem apelo,
pois o desmazelo dela
fez daquele que antes a amara
no verdejar da Cassia,
na gare do violinista verde
quando o tempo
não tocava o escuro
no coração partido,
não mais partilhado,

prantear o rocio 
que corre no alazão da madrugada
rota e sem rota ...

Isto é de dar a pena
- tanta pena!...
do amor que saiu de cena
por uma quantia pequena,
irrisória,
indigna de riso,
infensa ao siso,
maculada pela mancha
que não manha
o Canal da Mancha
.

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